Missão

A atividade que desenvolvemos é o culminar de 10 anos de projetos piloto, experiências positivas, casos de sucesso e também alguns projetos frustrados. Mas acima de tudo, muitas colaborações bem-sucedidas entre os elementos que hoje fazem parte da Young Educators e as instituições que integram a nossa rede europeia. Todo este trabalho permitiu por à prova alguns conceitos organizacionais e lançou as bases do trabalho que desenvolvemos atualmente, e principalmente, o que preparamos para o futuro.

Como instituição de e para jovens, e tendo em conta os desafios futuros que a atual sociedade nos apresenta, entendemos que a nossa participação constitui um fator essencial para a mudança e aceleramento na discussão e implementação de políticas que fortaleçam a união da nossa sociedade europeia.

Mas a união por si só, não chega. Essa união tem de ter como base um regime democrático, assente em valores humanitários e o integral respeito pelos Direitos Humanos; promovendo a liberdade de expressão, o pensamento crítico, e a igualdade em todas as suas vertentes. E sobretudo, sem esquecer a promoção ativa da integração, seja ela social, racial, sexual, económica ou qualquer outra barreira há integração de todos os seres que habitam ou escolham habitar a sociedade europeia.

Neste contexto, não é por acaso que trabalhamos com base no conceito Europe for Citizens. O crescimento da abstenção em todas as democracias europeias é um fenómeno generalizado, sendo os jovens aqueles que apresentam os mais baixos níveis de votação. Em todos os estados membros da UE, a participação total do eleitorado caiu de 83% na década de 1980, para 65% em 2014. Este fenómeno é mais evidente e preocupante nos jovens europeus, uma vez que a abstenção dos jovens tende geralmente a perpetuar-se pela vida adulta.

Esta propensão sente-se sobretudo nas eleições para o parlamento europeu que, desde 1979, mostra um decréscimo participativo a cada eleição. Em 2014 só 28% dos eleitores com menos de 25 anos votaram, comparativamente aos 42,6% de participação, da mesma faixa etária, em eleições para os parlamentos nacionais. À falta de participação nas votações, acresce a indisponibilidade dos jovens para a participação como candidatos e lideres a uma eleição.

De acordo com o Eurobarometro, 79% dos jovens europeus entre 15 e 30 anos não consideram a possibilidade de se candidatarem a uma eleição ao longo da sua vida. A juntar a estes dados está estamos perante um novo ciclo de ascensão do populismo extremo, patente no discurso de alguns políticos europeus, que pode colocar em causa toda a democracia e avanços da sociedade europeia pós-segunda guerra mundial. Avanços que, apesar de estarem longe do ideal que alimenta o sonho europeu, permitem uma maior união entre os povos, e são a base do mais longo período sem guerras entre os países da União Europeia. Mas existe uma luz ao fundo do túnel, alguns estudos revelam uma mudança na forma de participação na juventude, através da discussão de políticas concretas e não de política generalista.

Existe, da mesma forma, um maior interesse noutras formas de ação, além da tradicional participação partidária usual à trinta ou quarenta anos atrás. Os jovens preferem hoje intervir na sociedade através de outros tipos de organização. Alguns destes estudos revelam, igualmente, um aumento participativo em eleições e em movimentos políticos, após a aprendizagem sobre sistemas políticos, o funcionamento de instituições democráticas e outras formas de participação, como por exemplo através de atividades associativas.

Os dados do Eurobarometro de 2013, reforçam esta ideia: 23% dos jovens que participaram em pelo menos uma atividade associativa consideram a possibilidade de serem candidatos a uma eleição. Paralelamente, apenas 14% dos jovens, sem qualquer participação associativa estavam dispostos a candidatarem-se. As mesmas pesquisas apresentam que, para as eleições europeias de 2014, 70% dos jovens que tiveram uma experiência associativa pretendiam votar nas eleições, e somente 57% dos jovens sem ação associativa pretendiam ou pensavam em votar. Torna-se, então, essencial a criação de oportunidades que possibilitem aos jovens aceder a experiências que os aproximem da participação ativa e o do pensamento crítico sobre a nossa sociedades.

Neste sentido, a União Europeia tem expressado o seu apoio à participação política dos jovens com base na defesa da diversidade, direitos humanos, democracia e no pensamento crítico. Esta vontade de apoiar a participação dos jovens está presente no Tratado de Lisboa, no artigo 165, onde defende que um dos objetivos da UE deve ser o de estimular a participação dos jovens na vida democrática da Europa. Em Março de 2015, os ministros da educação da EU, no âmbito de uma reunião informal em Paris, expressaram, igualmente, a necessidade de trabalhar na resolução e na prevenção da marginalização, intolerância, racismo e radicalização, e na preservação e promoção da igualdade de oportunidades.

Dessa reunião saiu um claro sinal da necessidade de estimular a construção de um sentido de iniciativa e participação das crianças e jovens, e reconheceu-se o contributo positivo que estes podem acrescentar à sociedade, sem esquecer o reafirmar dos valores fundamentais são a base das nossas democracias. Estas intenções foram postas em prática, desde algumas décadas para cá, através de um forte empenho da União Europeia na promoção, e principalmente, no financiamento de Organizações Não Governamentais (ONG) para a aplicação no terreno de programas que promovam os valores europeus.

Temos como exemplo o programa Youth in Action (atualmente integrado no programa Erasmus+), que no período de 2007 e 2011 financiou aproximadamente 8 mil projectos que abrangeram 150 mil jovens e trabalhadores na área da juventude. 87% dos jovens participantes nestes projetos declararam uma maior aceitação da inter-culturalidade, e 84% aprenderam como intervir e auxiliar melhor a sua comunidade e sociedade.

No entanto, a aposta na capacitação dos jovens para a participação cívica na gestão do nosso futuro é reduzida face à necessidade urgente de inverter a atual tendência para o extremismo social e político. Existem algumas apostas na promoção da participação, mas devido à sua reduzida dimensão têm um impacto pontual, que, apesar de importante, é muito reduzido tendo em conta a dimensão da União. Acresce o facto de que a maioria destas iniciativas não possibilita o efetivo exercício da cidadania participativa, mas sim a simulação da realidade.

Neste contexto, temos apostado no trabalho em rede e principalmente na preparação e implementação de projetos à escala Europeia, que nos deixam ter um alcance mais incisivo e efetivo na promoção da participação ativa dos jovens, e consequentemente no funcionamento da nossa sociedade. Procuramos, através destes projetos, capacitar os jovens com ferramentas que os ajudem a compreender o funcionamento da sociedade, mas principalmente, dar-lhes a possibilidade de exercerem efetivamente a cidadania participativa que tanto promovemos.

Queremos, de igual forma, quebrar com a ideia generalizada e com a tendência crescente de que a acessibilidade à participação política é apenas exercida por jovens cujas condições familiares o permitem. Nós queremos promover a integração dos jovens que tendencialmente têm menos acesso a estas iniciativas, e consequentemente contribuir para a diminuição das diferenças entre as classes sociais.

Como Nelson Mandela disse: “A educação é a ferramenta mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo.”